17.5.10

"Tô exausto de construir e demolir fantasias. Não quero me encantar com ninguém."


a casualidade não se louva, através da pele degenera-se a intimidade em poucas horas.


a honestidade vira uma arma carregada e apontada para o próprio rosto.
expondo os muros internos, nos tornamos alvos facéis ao outro. o que assusta não é a velocidade, e sim, o temor de lidar com a falta de disfarces alheia. certas pessoas não suportam, sucubem em suas próprias incapacidades e justificam-se com fugazes defesas. o abandono torna-se o escape de egos não preparados para o que não reside na superfície.

(o sublime do que haveria de vir torna-se um vácuo de possibilidades mortas)

14.5.10

"An artist never works under ideal conditions. If they existed, his work wouldn't exist, for the artist doesn't live in a vacuum. Some sort of pressure must exist. The artist exists because the world is not perfect. Art would be useless if the world were perfect, as man wouldn't look for harmony but would simply live in it. Art is born out of an ill-designed world."

11.5.10

no bom e velho idioma: i won't change who i am just to please others.


"(...) The nice guy personality is usually developed at a young age and is probably shaped by the guy's parents. For example, he found some men with the nice guy persona were heavily influenced by their mothers. Other men were trying to avoid a macho-male personality or philandering behavior displayed by the father.
(...)
Despite this attitude, some dating coaches say that women should keep an open mind. The negative stereotypes of a nice guy aren't always true; the men aren't always timid or easy pushovers. While the nice guys may not be as forward or loud, their selfless personality can be valuable to a lasting relationship, they say.
(....)
Sometimes, all it takes is for the girl to give the nice guy a chance."

8.5.10

"O que tem me mantido vivo hoje é a ilusão ou a esperança dessa coisa, 'esse lugar confuso', o amor um dia. E de repente te proíbem isso. Eu tenho me sentido muito mal vendo minha capacidade de amar sendo destroçada, proibida, impedida"

3.5.10

"A man who procrastinates in his choosing will inevitably have his choice made for him by circumstance."

1.5.10

"Você não existe. Eu não existo. Mas estou tão poderoso na minha sede que inventei a você para matar a minha sede imensa. Você está tão forte na sua fragilidade que inventou a mim para matar a sua sede exata. Nós nos inventamos um ao outro porque éramos tudo o que precisávamos para continuar vivendo. E porque nos inventamos um ao outro, porque éramos tudo o que precisávamos, para continuar vivendo. E porque nos inventamos, eu te confiro poder sobre o meu destino e você me confere poder sobre o teu destino. Você me dá seu futuro, eu te ofereço meu passado. Então e assim, somos presente, passado e futuro. Tempo infinito num só, esse é o eterno."
"Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio."

30.4.10

"Metropolis by day and night, a surreal city lived-in by surreal people…More than showing the chaos of the metropolis this project focuses on single souls, walking down the streets, anonymous bodies, like ghosts in a ghost town…like the feeling that I have when I’m walking down the streets of a big metropolis like New York even if it’s full of people…"

28.4.10

pelas minhas contas, eu namorei nem 1% da minha vida, sendo que eu queria ter namorado cerca de 30% da minha vida.

(prefiro omitir as divagações)

27.4.10

"It's an idea, someday
in my tears, my dreams
don't you want to see her proof?
Life that comes of no harm
you and I, you and I and dominoes, the day goes by...

You and I in place
wasting time on dominoes
a day so dark, so warm
life that comes of no harm
you and I and dominoes, time goes by...

Fireworks and heat, someday
hold a shell, a stick or play
overheard a lark today
losing when my mind's astray
don't you want to know with your pretty hair
stretch your hand, glad feel,
in an echo for your way.

It's an idea, someday..."



teorizo, teorizo ao limite.
e num dia e numa hora que menos esperava, todo o meu racional é consumido por uma desconhecida que vira um eco na minha mente.

(por uma constante possibilidade de cumplicidade)

24.4.10

"You can chain me, you can torture me, you can destroy this body, but you will never imprison my mind."
"Fiction is about what is to be a human being."

22.4.10

o quanto que uma pessoa pode odiar a si mesmo?
até não restar mais nada de si mesmo?

se deixarmos outra pessoa nos dizer o que somos ou que não merecemos ser amados, criamos um buraco no estômago que, com o tempo, irá nos comer vivos.

20.4.10

"a beautiful girl can turn your world into dust"

do que não se explica: uma beleza que não se nomeia, incorporada em si antes mesmo de ser íntima.

(não a beleza de antes, mas de uma inesperada beleza em uma quinta cedo)

19.4.10

"to all chances never seized
untaken opportunities,
to all the paths i didn't take
and all the plans i never made.
(...)
to all the risks i was too scared
and all the love i never dared
to all the friends i never had
and all the things i never said
to all the hands i never held
and every feeling left unfelt
to all the words i didn't hear
to all my loneliness and fear
to all the tears i never cried
to every dream that slowly died
to all sunsets i missed out
to everything i lived without
to life, to love, to luck, to fate,
i won't regret, it's not too late."
"I try to be a photographer. I cannot talk. I am not interested in talking. If I have anything to say, it may be found in my images. I am not interested in talking about things, explaining about the whys and the hows. (...)"
"In photography there is a reality so subtle that is becomes more real than reality."


"Photography is way to tell others how you feel about what you see."
"Falaram então sobre as paixões, os enganos, as carências e todas essas coisas que acontecem no coração da gente e tudo, e nada."

existo em uma outra vida paralela à este domingo.
onde há uma pele que estanca feridas de noites nômades e estrangeiras.

18.4.10

quando a mídia quer, ela é impetuosa e cruel, ao extremo. ela distorce a comunicação em algo discriminatório e falacioso. alguns palhaços fazem mal uso do fotojornalismo para garantir o sustenso próprio porque estão sendo pagos para denunciar uma festa. enquanto nos arredores da festa, deveriam realmente estar denunciando uma são paulo suja e excludente.

15.4.10

"Chegar ao centro, sem partir-se em mil fragmentos pelo caminho. Completo, total. Sem deixar pedaço algum para trás."

do meu rotineiro embate entre um sol em aquário e uma lua em leão, e toda confusão emocional que traz consigo, a segunda opção deve falar mais alto. um pouco de amor-próprio e aceitação das próprias peculiaridades. carregada de um certo orgulho até.

(saturado do estado de incapaz)

14.4.10

"I am adding another language to the spoken language, I am trying to restore the language of speech to its old magic, its essential spellbinding power, for its mysterious possibilities have been forgotten."

12.4.10

"I need to be alone. I need to ponder my shame and despair in seclusion; I need the sunshine and the paving stones of the streets without companions, without conversation, face to face with myself, with only the music of my heart for company."

9.4.10

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”

7.4.10

"Forget about good. Good is a know quantity. Good is what we all agree on. Growth is not necessarily good. Growth is an exploration of unlit recesses that may or may not yield to our research. As long as you stick to good you'll never have real growth."
"My role in society, or any artist's or poet's role is to try and express what we feel. Not to tell people how to feel. Not as a preacher, not as leader, but as a reflection of us all."

5.4.10

"I'm not going to change the way I look or the way I feel to conform to anything. I've always been a freak. So I've been a freak all my life and I have to live with that, you know. I'm one of those people."

3.4.10

tudo o que é fixo necessita distorção.

certas emoções são sucumbidas a um vácuo de adaptação,
à uma frustração evoluída em imagem.



("o trabalho faz o homem")

prefiro pensar que o trabalho sublima o homem, salva o homem de si mesmo.
em sua própria inércia e incapacidade de satisfação emocional.

31.3.10

"I like really old films. You can really see what the world looked like, thirty, fifty, a hundred years ago. You know the clothes, the telephones, the trains, the way people smoked cigarettes, the little details of life. The best films are like dreams you're never sure you've really had. I have this image in my head of a room full of sand. And a bird flies towards me, and dips its wing into the sand. And I honestly have no idea whether this image came from a dream, or a film. Sometimes I like it in films when people just sit there, not saying anything."

27.3.10

"Esse era o meu problema e o meu desafio: aprender a viver e a desfrutar dentro de mim. E a questão não é simples: hindus, chineses, japoneses, todos os que têm culturas milenares, dedicam boa parte do seu tempo a desenvolver filosofias e técnicas de vida interior. Mesmo assim, todo ano se suicidam no mundo uns tantos milhares de pessoas, esmagadas por sua própria solidão. E não é que o sujeito escolha ficar sozinho. É que, pouco a pouco, vai-se ficando sozinho. E não há remédio. É preciso resistir. Chega-se a uma imensa planície deserta e não se sabe que porra fazer. Muitas vezes se pensa que o melhor é não pensar muito em si mesmo e na maldita solidão, que fica mais aguda quando se está isolado e em silêncio. Bom, pois é preciso entrar em ação. E a gente sai por aí. Em busca de (...) Não sei."
"Em algumas ocasiões, era tão horrível para mim ir à repartição que eu chegava ao ponto de, muitas vezes, voltar doente do trabalho. Mas, de repente, sem mais nem menos, começava uma fase de ceticismo e indiferença (comigo tudo acontecia em fases), e eu mesmo começava a rir de minha intolerância e minhas aversões e censurava a mim mesmo pelo meu romantismo. Num determinado momento, não queria falar com ninguém; em outro, não só procurava conversa com alguém, como até mesmo decidia tornar-me seu amigo. De repente, sem mais nem menos, toda a aversão desaparecia. Quem sabe ela nunca tivesse existido realmente em mim, e fosse apenas pose tirada dos livros? Até agora não solucionei essa questão."

23.3.10

"do the elderly couples still kiss and hug and grab their big wrinkly skin... "

(...)

"in my dream you picked my leg, and made me so happy."



um dos filmes que mais me tocaram recentemente foi um curta de 30 minutos de um diretor que eu andava desacreditado.

quase que com pura precisão, vi um relance da maioria dos meus sonhos diários. e ao acordar, a subjetividade de Animal Collective. na primeira música que conheci deles.

19.3.10

sou feito da personalidade que escolhem que eu seja do que de fato sou.

quaisquer movimentos bruscos de aproximação,
a linguagem é dizimada e elas tornam-se mudas.

em uma incomunicável passagem entre o íntimo e o estranho,
transita-se um campo quase abstrato de nunca existir afirmações, apenas hipóteses.

o denominador em comum:
permaneço alheio e estranho.

(constantemente vago, porém menos inquieto)

17.3.10

"love is a virus."

we can heal for a while, but we will never find the cure.

15.3.10

"Meu coração não se cansa
De ter esperança
De um dia ser tudo o que quer
Meu coração de criança
Não é só a lembrança
(...)
Meu coração vagabundo
Quer guardar o mundo
Em mim."
"We are born with a scream; we come into life with a scream, and maybe love is a mosquito net between the fear of living and the fear of death."
"A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação. O que sinto, na verdadeira substância com que o sinto, é absolutamente incomunicável; e quanto mais profundamente o sinto, tanto mais incomunicável é. Para que eu, pois, possa transmitir a outrem o que sinto, tenho que traduzir os meus sentimentos na linguagem dele, isto é, que dizer tais coisas como sendo as que eu sinto, que ele, lendo-as, sinta exatamente o que eu senti. E como este outrem é, por hipótese de arte, não esta ou aquela pessoa, mas toda a gente, isto é, aquela pessoa que é comum a todas as pessoas, o que, afinal, tenho que fazer é converter os meus sentimentos num sentimento humano típico, ainda que pervertendo a verdadeira natureza daquilo que senti.

Tudo quanto é abstrato é difícil de compreender, porque é difícil de conseguir para ele a atenção de quem o leia. Darei, por isso, um exemplo simples, em que as abstrações que formei se concretizarão. Suponha-se que, por um motivo qualquer, que pode ser o cansaço de fazer contas ou o tédio de não ter que fazer, cai sobre mim uma tristeza vaga da vida, uma angústia de mim que me perturba e inquieta. Se vou traduzir esta emoção por frases que de perto a cinjam, quanto mais de perto a cinjo, mais a dou como propriamente minha, menos, portanto, a comunico a outros. E, se não há comunicá-la a outros, é mais justo e mais fácil senti-la sem a escrever."

11.3.10

"How good, how good does it feel to be free?
And i answer them most mysteriously
Are birds free from the chains of the skyway?"

10.3.10

"Sempre há alguma coisa que falta. Guarde isso sem dor, embora, em segredo, doa."

5.3.10

"Of course, there will always be those who look only at technique, who ask 'how', while others of a more curious nature will ask 'why'. Personally, I have always preferred inspiration to information."

28.2.10

"Meus olhos quase verdes de tanto amor recusado, emoções informuladas pelo silêncio de noturna precisão - tudo convergindo para a pedra."

(o abismo opera na criação)

23.2.10

"The truth is always an abyss. One must - as in a swimming pool - dare to dive from the quivering springboard of trivial everyday experience and sink into the depths, in order to late rise again - laughing and fighting for breath - to the now doubly illuminated surface of things."

20.2.10

"A única subjetividade é o tempo, o tempo não-cronológico (...) somos nós que somos interiores ao tempo (...) a interioridade na qual estamos, nos movemos, vivemos e mudamos."


(...)

"Outras imagens se apresentam, misturam-se no museu que talvez seja o da sua memória."

18.2.10

"I'm free, I think. I shut my eyes and think hard and deep about how free I am, but I can't really understand what it means. All I know is I'm totally alone. All alone in an unfamiliar place, like some solitary explorer who's lost his compass and his map. Is this what means to be free?"

4.2.10

"Tudo parece que é ainda construção mas é ruína..."

cansaço demais deveria extravasar pelos poros, e tornar a pele líquida.
os tecidos também sucumbiriam, e restariam apenas a desolação dos ossos.

(que em tais momentos, sinto isto e não tenho a quem exprimir)


ou por apenas excesso de puro azar, ou que não nasci muito pra isto.
e sou impedido de uma certa normalidade em ter romances, e toda a beleza que sinto que acompanha. uma tal beleza que também extravasa os poros, mas que não é líquida, é sólida.

vou sendo consumindo por ilusões e a minha idade torna-se um símbolo do que eu deveria viver, e não vivo.
restam apenas as tais das noites insuportáveis: o único realismo que define um cotidiano entorpecido e desolado.

30.1.10

"There is no intensity of love or feeling that does not involve the risk of crippling hurt. It is a duty to take this risk, to love and feel without defense or reserve."


"All love is expansion, all selfishness is contraction. Love is therefore the only law of life. He who loves lives, he who is selfish is dying. Therefore love for love's sake, because it is law of life, just as you breathe to live."



nenhum abismo é alcançado sem riscos: o confrontamento das inseguranças, ansiedades e (mais) noites insones. sem abismos, restariam apenas avenidas e ruas planejadas, e a tal da solitude disforme.

há meses que não opto mais pelo isolamento, há meses a futura certeza de um amor novamente possível e duradouro.

(que o concreto primeiro surge na projeção e idéia que é feita de algo)

10.1.10

"A solidão desola-me, a companhia oprime-me. A presença de outra pessoa descaminha-me os pensamentos; sonho a sua presença com uma distracção especial, que toda a minha atenção analítica não consegue definir."


além da cruel constatação de que somos todos sozinhos, sendo a morte da consciência o maior exemplo disto, não acho assim tão plausível a tal da solidão plena e independente. em muitos casos, creio que há falsas personas, uma necessidade de mostrar-se independente perante o mundo. de pessoas que criticam os solitários angustiados, sendo que muitos dos que criticam também são gêmeos dos solitários angustiados. a diferença é que eles escolheram fazer uso do disfarce. ou da indiferença de si mesmos.

e mesmo com o entendimento do fato de que ninguém, ou nenhuma espécie de amante, preenche o relutante vazio (a ilusão dele ser preenchido é dizimado na fúria da adolescência), há angústia sim, em cotidiano sem romance, e sem companhia. sem pele alheia. e sem intimidade.

o maior exemplo vivo, na minha memória, foi a gradual perda da lucidez do meu avô, após a morte da minha avó. diferente dos que escrevem em blog ou que usam outros meios como forma de disfarce da angústia, ou da falta de alguém, meu avô clamava em alto e bom tom a ausência dela. pedia para que de algum modo ela o ouvisse. e todos da família ouviam e ficavam impotentes. sendo eu um deles. e ele acabou falecendo 4 anos depois, no mesmo mês do ano que ela havia falecido, e quase no mesmo dia.

(e desta vez, não fui cauteloso ao me expor. deixei bem nítido o que eu queria dizer. para os poucos que conhecem este blog, ou para os poucos que digitam o meu nome no google e o descobrem. ou para mim mesmo apenas.)
excesso de solidão desfigura a solitude em uma face mórbida.
as companhias são mutáveis e poucas vezes fixas.

sou desintegrado pela falta de companhia e de cúmplices, resultantes de um passado nômade e inerte, que são resultantes de escolhas mal feitas há cerca de dois anos atrás.

noites de final de semana tornam-se quase que insuportáveis em casa e quase que inabitáveis na rua. o novo sempre apresenta-se, porém nunca é alcançado.

sou feito de uma constante ilusão do que tais noites representam: a ilusão de algo ou alguém que dizime as tais das noites insuportáveis em casa.

24.12.09

"a vida deve descontinuar para que continuemos."

hábitos necessitam de quebras.
e teorias necessitam ser dizimadas ao hábito.

do constante abismo entre a prática e a tese, arrastei meses e dias e fui feito do saudosismo do que começou a ser feito virtualmente do meu nome no ano passado.

e me deparo com uma entrevista para uma revista espanhola e perguntas que me são alheias.
de uma época cujo resgate não vinga.

(certos fragmentos são inertes e incorporados)
“You put your camera around your neck along with putting on your shoes, and there it is, an appendage of the body that shares your life with you. The camera is an instrument that teaches people how to see without a camera."


"The thing that's important to know is that you never know. You're always sort of feeling your way."
"Foto é apenas foto.
Não é a verdade.
Aliás, não é nem a expressão da verdade.
É uma interpretação."

17.12.09

"O cinema, mesmo aquele mais ideal e mais abstrato, permanece em sua essência concreto, permanece a arte do movimento, luz e cor. Quando deixamos preconceitos e os pré-condicionamentos de lado, nos abrimos para a concritude da experiência puramente visual e cinestésica, para o 'realismo' da luz e do movimento, para a pura experiência do olho, para a pura matéria do cinema."

16.12.09

"sou uma besta. quando a realidade me entra pelos olhos, o meu pequeno mundo desaba."


ando cansado até do novo, e dos muros que cercam as pessoas.

em dissimulação contida, novas pessoas desabam antes mesmo de serem erguidas.


(e foi dito que as palavras precisam ser inteiras...)

7.12.09

"this fantasy is half surreal half real. i'm probably in the metro somewhere in eastern europe waiting around with exotic, quiet people when a street performer walks up to me and everything else closes out and he's telling me something, reminding me of something. of beauty of love of everyone of music of art of imagination. it's creepy and wonderful and touches on something very within myself, himself and everything around." (2795773490)

1.11.09

há uma parte de mim que clama por uma libertação fugaz.
ainda assim, é uma parte de mim que, mesmo adormecida, sabe que tal libertação pode perdurar.

2.9.09

descoberto em uma andança de usuários do flickr:

"We stand in the middle of a transition where we can't remain standing... The new thing in us, the added thing, has entered into our heart, has gone into its inmost chamber and is not even there any more, is already in our blood... The future enters into us in this way in order to transform itself in us long before it happens."

19.8.09

"de qualquer viagem, ainda que pequena, regresso como um sono cheio de sonhos - uma confusão tórpida, com as sensações coladas uma às outras, bêbado do que vi."

(com mais viagens, sucessivas ou não, ocorreria a certeza de não pertencer a lugar algum. sem o incessante retorno à uma cidade alheia e íntima)

15.8.09

há, em fotografia, um potencial de libertação que beira o misticismo e uma espécie de transcendência.

28.7.09

"Be sure to play the best of (my) 8 other sides"

a solitude não como fardo, como uma voz associada a si mesmo.
uma busca e fluxo de prender-se em idéias próprias, conceitos e experimentações internas.

(o externo em consequência, ou em prioridade contida)

24.7.09

"Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida."

23.7.09

não o projetar de uma imagem, o projetar de um som inexistente.
o silêncio torna-se perturbador: numa impressão de um latido, um eco inaudível.

numa presença que me acampanhou desde os cinco anos.
em uma época em que não havia idade, e nem passagem do tempo.

9.7.09

"It is part of the photographer's job to see more intensely than most people do. He must have and keep in him something of the receptiveness of the child who looks at the world for the first time or for the traveller who enters a strange country."

5.7.09

a busca pela imersão dos fotogramas clama.
- poros, dentes e unhas travestidos de imagem.


(não fuga, puro fluxo de conceitos e autores de contra-planos)

20.6.09

"Mais do que isso, nada. Mas o vazio tem o valor e a semelhança do pleno. Um meio de obter é não procurar, um meio de ter é o de não pedir (...)"

19.6.09

"Deve ser por isso que fico (ficamos todos, acho) tão abalado quando, sem nenhuma preparação, ela acontece de repente. E então o espanto e o desamparo, a incompreensão também, invadem a suposta ordem inabalável do arrumado (e por isso mesmo 'eterno') cotidiano. (...) Porque o amor, como a morte, também existe - e da mesma forma, dissimulada. Por trás, inaparente. Mas tão poderoso que, da mesma forma que a morte - pois o amor também é uma espécie de morte (a morte da solidão, a morte do ego trancado, indivisível, furiosa e egoisticamente incomunicável) - nos desarma. O acontecer do amor e da morte desmascaram nossa patética fragilidade."

18.6.09

eu serei breve, não mais frágil ou inexato.

13.6.09

desta espécie de cansaço, sempre a saturação e a necessidade de desvio do rumo.
(ou a pura saturação da rotina e a crueldade do louvor do hábito)
"Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como..."

6.6.09

"E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves e das estrelas, serão a tua vez presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada."
seja o (des)compromisso com o real ou a necessidade de manifestar-se: toda imagem provém de uma parte de si que anseia por libertação.

2.6.09

"Images - millions of images - that's what I eat."
"O fim da arte inferior é agradar, o fim da arte média é elevar, o fim da arte superior é libertar."

15.5.09

"o cinema é um olhar que se substitui ao nosso para nos dar um mundo em acordo com nossos desejos."

12.4.09

"outro intervalo se passou (talvez tenham se passado alguns dias, talvez meses, quem sabe até anos)."

invadido pelo hábito de uma tranquilidade suave e enigmática.
no leito da vida luzida de vida, e não mais anseio ou inércia.

sentidos verdadeiramente absurdos e críveis.

- cada toque, uma relíquia.
"ou, melhor ainda, como a realidade despojada de tudo, menos da sua essência."

24.2.09

além de recomeço, a urgência de regurgitar um passado demente e frustrado.

- que não seja mais impossibilidade.

7.1.09

"Analisar instante por instante, perceber o núcleo de cada coisa feita de tempo e de espaço. Possuir cada momento, ligar a consciência a eles, como pequenos filamentos quase imperceptíveis mas fortes."

4.1.09

"We can destroy ourselves by cynicism and disillusion, just as effectively as by bombs."
i was already dead... not numb, as i imagined.

3.12.08

i left a huge part of myself in a distance age.

29.10.08

"A Festa da Menina Morta", de Nachtergaele

um dos melhores filmes brasileiros recentes.. a fotografia é um primor, .. não sabia de quem era, e me vinha na cabeça o Walter Carvalho. curioso saber que foi feito por Lula Carvalho, filho dele...

um filme que vai além do tipico regionalismo ou excesso de elementos "brasileiros". é um belo estudo sobre a cegueira da fé, a força dos elementos invisiveis sobre uma comunidade... um filme forte, pelos temos abordados e pelo poder das imagens..

e pelo visto, nasceu um grande diretor com este filme. não só um ator famoso q foi fazer filmes, alguém que realmente conhece cinema e sabe utilizar as suas influências.
"24 city", de Zhang-ke

na linha de (e creio q superior) ao cinema do Eduardo Coutinho..

fotografia belissima, com cenas que exploraram bem a beleza da região (da natureza, das fábricas).. é uma espécie de falso documentário ou falsa ficção... um dos filmes menos pretenciosos entre os recentes que vi.. passa uma honestidade, quase que pura, pelos depoimentos dos entrevistados sobre a industrialização da região.. o último depoimento, da garota do "new beatle" (a foto q aparece na divulgação do filme) é extremamente emocionante, dá um valor e rumo muito maior para o filme; assim como da "Pequena Flor", sobre seus casos amorosos frustrados..

é um filme que sabe achar vida em um cenário tão inóspito e frio.

26.10.08

"Meu Winnipeg", de Maddin.

um dos melhores filmes que vi até agora... o diretor canadense Guy Maddin superando até o memoravel "a música mais triste do mundo"

este cineasta tem talento, e muito. talvez "o que falta" para ele é o nome dele ser mais conhecido, os filmes dele terem mais projeção... porque creio que ele é um dos cineastas que melhor sabe discutir e recriar linguagem no cinema atual.

o filme é uma mistura de biografia dele mesmo, misturado com uma análise minuciosa de vários aspectos da cidade onde ele foi criado (Winnipeg). no limiar do ser ficção ou ser documentário (e isso nem importa muito), o filme tem uma edição primorosa, fazendo lembrar a montagem do cinema soviético, em alguns momentos. e aliado ao constante estilo de recriação de cinema mudo que o Maddin faz em quase todos os seus filmes, é um belo filme "à margem" do que se vê na maioria dos filmes da Mostra: um filme que flui totalmente contra o excesso de realismo; é um filme que questiona o real e a si mesmo, o tempo inteiro.

24.10.08

"Sinédoque, Nova Iorque", de Kaufman.

brilhante, meu preferido na mostra até agora..
li uma crítica que é um filme que tem a formula ideal e elementos para "sucesso cult".. enfim, isso é um ponto que acho irrelevante e que muitos criticos se perdem... é, antes de tudo, cinema autoral de alto nível, em meio ao main-stream de hollywood..

achei tão brilhante por ser o tipo de viagem ou loucura que flui o filme inteiro, sem interrupção. ou seja, a preocupação de lógica ou fatos se ligarem caem por terra, tendo bem menos coerência do que "brilho eterno..", por exemplo. (quanto mais ele viaja em loucuras q só ele entende, melhor...) o que sobra são as emoções e frustrações do dramaturgo lidando com a passagem do tempo, desgaste do seu corpo, aliado ao desejo de ser lembrando por sua obra; chegando no limite de que uma criação pode chegar e consumir um escritor.

e com uma das melhores atuações da carreira do Philip Seymour Hoffman, é extremamente superior a "be kind, rewind".

e espero que o Kaufman continue se "repetindo", se for o caso. porque, junto do David Lynch, é um dos melhores e mais autoriais cineasta/roterista, do atual cinema norte-americano. anos luz na frente de Tarantino, entre outros..

14.10.08

que haja dias de verão, de trópicos mal formados, de uma sede inerte de compaixão.

refaço uma vida bípede, em nome de um possível controle de uma síndrome que está por ser abolida.

9.9.08

"Entre as muitas maneiras de se combater o nada, uma das melhores é tirar fotografias, atividade que deveria ser ensinada desde muito cedo às crianças, pois exige disciplina, educação estética, bom olho e dedos seguros. Não se trata de estar tocaiando a mentira como qualquer repórter, e agarrar a estúpida silhueta do personagem que sai do número 10 de Downing Street, mas seja como for quando se anda com a câmara tem-se o dever de estar atento, de não perder este brusco e delicioso rebote de um raio de sol numa velha pedra, ou a carreira, tranças ao vento, de uma menininha que volta com um pão ou uma garrafa de leite."

8.9.08

"I'm dead. No, that's too melodramatic. I'm not dead. But I live without self-respect. I know it sounds silly and pretentious. Most people live without self-esteem. Humiliated at heart, stifled, and spat upon. They're alive and that's all they know. They know of no alternative. Even if they did, they would never reach out for it. Can one be sick with humiliation? Is this a disease we have to live with? We talk so much about freedom. Isn't freedom a poison for the humiliated? Or is it merely a drug the humiliated use in order to endure? I can't live like this. I've given up. I can't stand it anymore. The days drag by. I'm choked by the food I swallow, the shit I get rid of, the words I say. The daylight screams at me every morning to get up. Sleep is only dreams that chase me. The darkness rustles with ghosts and memories. Has is ever occurred to you that the worse off people are, the less they complain? Finally, they're silent even if they're living creatures with nerves, eyes, and hands. Vast armies of victims and hangmen. The sun rises and falls, heavily. The cold approaches. The darkness. The heat. The smell. They're all silent. We can never leave. It's too late. Everything's too late."

20.8.08

"Better to write for yourself and have no public, than to write for the public and have no self."


"Yes, it's necesary to break all rules. And to push imagination into the abyss... That's what I think, and I try to obey it. But not always with full satisfaction... I try to get better. I have a plan, but no arrival point. And I don't want it. (...) Todas las reglas existen para ser violadas. Otra vez."

11.8.08

"O trabalho de Lucas Romanholli é arrebatador. Daqueles que você não sabe bem o que dizer. Pois, a imagem em si é apenas uma parte do seu trabalho. As sutilezas de sombras, o enquadramento e os "objetos" registrados falam por si só. E nesse sentido, é a técnica ou o que se pode tirar dela que nos surpreende. No seu Flickr, sets, como reconstruction, descontruction e the dreams, misturaram na minha cabeça apenas palavras soltas: ficção, realidade, sonho, pesadelo, angústia, solidão..."

http://fotosite.terra.com.br/
"A fotografia estabelece em nossa memória um arquivo visual de referência insubstituível para o conhecimento do mundo.
Essas imagens, entretanto, uma vez assimiladas em nossas mentes, deixam de ser estáticas; tornam-se dinâmicas e fluidas e mesclam-se ao que somos, pensamos e fazemos. Nosso imaginário reage diante das imagens visuais diante das nossas concepções de vida, situação sócio ecônomica, ideologia, conceitos e pré conceitos.
Não obstante todo o conhecimento e experiência que temos acumulado diante de nossas vidas - que injetamos quando de nossa leitura das imagens - necessitamos ainda recorrer à imaginação. Por outro lado, somos seres carregados de emoção. E, felizmente nossas emoções não são programadas, nossas reações emocionais podem ser, em função dos estímulos externos, imprevisíveis. Ainda bem que é assim, caso contrário seriamos robôs, replicantes.
É por tudo isso que o conteúdo das imagens visuais provoca em cada um de nós impactos diferentes; em função disso, também, é impossível haver 'interpretações -padrão' sobre o que se vê registrado nas imagens.
A imagem fotográfica é o relê que aciona nossa imaginção para dentro de um mundo representado ( tangível ou intagível), fixo na sua condição documental, porém moldável de acordo com nossas imagens mentais, nossas fantasias e ambições, nossos conhecimentos e ansiedades, nossas realidades e nossas ficções. A imagem fotográfica ultrapassa, na mente do receptor, o fato que representa."

10.8.08

"All people know the same truth. Our lives consist of how we chose to distort it. "

"Tradition is the illusion of permanence."

"I'm a guy who can't function well in life but can in art."

6.8.08

"Camera art must be completely devoid of logic. The logic vacuum must be there so that the viewer applies his own logic to it and the work, in fact, makes itself before the viewer's eyes. So that it becomes a direct reflection of the viewer's consciousness, logic, morals, ethics, and taste. The work should act as a feedback mechanism to the viewer's own working model of himself."


"A arte da câmera deve ser totalmente destituída de lógica. O vazio lógico deve estar presente para que o espectador aplique a ele sua própria lógica e o trabalho, de fato, se forme diante dos olhos do espectador. Assim torna-se um reflexo direto da consciência, da lógica, da moral, da ética e do gosto do espectador. A obra deveria atuar como um mecanismo de realimentação para o espectador compor a maquete de si mesmo."

3.8.08

"Las fotos de Lucas Romanholli me recuerdan el mundo torcido por el sol de uno de sus paisanos, el escritor João Guimarães Rosa, creador y criador de un lenguaje nuevo, neológico, abrasivo, múltiple como la tierra brasileña y sus inacabables facetas.

Lucas, quien no por casualidad se hace llamar reconstruction, subvierte convenciones. Sin embargo, no es ésa su valentía. Lucas es valiente porque sueña y, como un rastreador, nos señala la senda para entrar en el sueño.

Tampoco es casual que administre uno de los grupos de fotografía más alucinados de Flickr: alan’s psychedelic breakfast, lema tomado del título de una canción del mejor disco de Pink Floyd, Atom Heart Mother.

Sostiene y ejerce la idea de que el arte “no es de ningún modo un objetivo, sino un punto de vista personal”, preñado de “insconstancia y extrañeza”. Por eso, porque está mareado de vida, prefiere la ambigüedad al realismo basto del documentalismo, la sugestión al simple auto de fe de la realidad.

Le he visto crecer de un manera prodigiosa, a una velocidad tan extrema que todos nos hemos quedado petrificados en su estela. En el camino lo ha roto todo, incluso su propia seguridad, para ofrecernos la vista sesgada, implosiva y surreal de lo cotidiano, el envés de lo que ven los ojos.

Sigo pensando en Guimarães Rosa, de cuyo nacimiento se celebra estos días el centenario (sin que en España, siempre tan ajenos a nuestros hermanos lusistas y brasileños, nos demos por enterados). Acaso Lucas haría suya esta formulación del autor de Grande Sertão: Veredas:

"Quando escrevo, repito o que já vivi antes.
E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente.
Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo
vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser
um crocodilo porque amo os grandes rios,
pois são profundos como a alma de um homem.
Na superfície são muito vivazes e claros,
mas nas profundezas são tranqüilos e escuros
como o sofrimento dos homens"

que chega a ser quase um choque, uma chaga...
a minha cólera dos deuses é ser aceito, querido, sentir que pertenco bem à algo.

(uma espécie de importância em oposição a pura transparência)

23.7.08

"Language is a virus from outer space."

7.7.08

que seja o tempo da queda, dos estrangeiros...
não me sinto apto, e talvez nem queira, trabalho em grupo.
escolho, assumo - me envergonho, me confundo - no individualismo de um trabalho a sós.

(e outra mudança de graduação...)
"eu fui à Floresta porque queria viver livre. Eu queria viver profundamente, e sugar a própria essência da vida... expurgar tudo o que não fosse vida; e não, ao morrer, descobrir que não havia vivido."

19.6.08

"Preferimos a imagem ao objeto, a cópia ao original, o simulacro (a reprodução técnica) ao real. E por quê? Porque desde a perspectiva renascentista até a televisão, que pega o fato ao vivo, a cultura ocidental foi uma corrida em busca do simulacro perfeito da realidade. O simulacro, tal qual a fotografia a cores, embeleza, intensifica o real. Ele fabrica um hiper-real, espetacular, um real mais real, interessante que a própria realidade."

15.6.08

que seja a ausência do confessional;
que seja a ruína de me entregar a uma paixão imaterial.
"Sometimes they are a matter of luck; the photographer could not expect or hope for them. Sometimes they are a matter of patience, waiting for an effect to be repeated that he has seen and lost or for one that he anticipates."


"Photography is still a very new medium and everything must be tried and dare... photography has no rules. It is not a sport. It is the result which counts, no matter how it is achieved. "


"Most photographers would feel a certain embarrassment in admitting publicly that they carried within them a sense of wonder, yet without it they would not produce the work they do, whatever their particular field."

4.6.08

"(...) E à beira de sua mudez, estava o mundo. Essa coisa iminente e inalcancável. Seu coração faminto dominou desajeitado o vazio.
Era um tempo surpreendente. O homem afortunadamente nem sequer tentou compreendê-lo. Talvez o que houvesse nele fossem apenas ecos do que ouvira dizer. (...)
Na linguagem não havia uma palavra sequer que desse esse nome ao fato de, no agigantamento de si próprio, ele ter alcançado o alto da montanha. Então Martin disse alto:
- Aqui estou, disse ele, e no coração de alguma coisa."